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Angelica Teixeira



Pensou em olhar pelo buraco da fechadura?


Qual de nós, quando criança, não olhou, alguma vez, pelo buraco de uma fechadura?


O que nos movia? Sair da fronteira do possível rumo ao desconhecido? Ato proibido pelos adultos? Sim! E, quantas vezes, enquanto crianças, ultrapassamos os limites do certo e do errado, do bom e do ruim, do possível e do impossível, só para matar a curiosidade, viver uma aventura ou simplesmente, se jogar na emoção do ato.


Ah! Para mim, a curiosidade, às vezes, era algo quase incontrolável!


A ideia de fazer algo novo chegava, se alojava em minha mente que, aos poucos, ia arquitetando o que e como fazer; era uma ansiedade misturada a outras sensações, embaralhadas entre si, e toda essa emoção se ampliava cada vez mais, na medida em que o projeto se tornava realidade.


Ah... me lembro até hoje da sensação maravilhosa que eu sentia. Era sair do tédio, da mesmice, que hoje teimamos em chamar "zona de conforto", só para viver uma aventura de segundos.


E, por incrível que pareça, ao me lembrar dos detalhes de alguns desses momentos, que insistiram em ficar na minha memória, tenho a mesma sensação de euforia, como se estivesse planejando algo diferente, novo, inusitado e, incrivelmente prazeroso.


Infelizmente, no caminho de nos tornamos adultos, sem perceber, deixamos de exercitar o nosso "ser" curioso de criança.


Pouco a pouco, por falta de vontade, de curiosidade, de coragem, ou outra razão qualquer, não nos aventuramos mais a olhar, sequer, através de nossas próprias fechaduras. Aquelas ... do sonho, do desejo, da descoberta, da alegria, do amor, da emoção, entre tantas outras que, ao longo dos anos, trancamos em nossa vida.


Por quê? E, por que permanecem fechadas, se cada um de nós possui a sua própria chave e as portas podem ser abertas a qualquer momento?



Foto: LEEROY  Agency / Pixabay


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sexta-feira, setembro 06, 2024 No Comentários



Sabe aquele dia em que a gente acorda feliz, de bem com a vida, sem saber por quê?


Por que saber?


Já se deu conta de que esse momento mágico começa a se quebrar, como um vidro se estilhaçando em câmara lenta, na medida em que tentamos buscar a razão dessa plenitude matinal?


Por que questionar?


Sentir e viver intensamente essa felicidade sem razão não é suficiente?


Por que precisamos de respostas mesmo quando não há o que perguntar?


Por que necessitamos de explicação para todos os nossos sentimentos, quando estes são simplesmente o que são?


Por que perseguimos uma razão de ser para cada momento de nossas vidas, quando alguns sequer foram planejados?


Tentamos racionalizar essa felicidade inesperada, que chegou do nada, sem pedir licença, que veio sem ser convidada e nem bateu na porta para nos avisar que iria chegar e, assim mesmo, entrou.


Naquele exato momento em que acordarmos, ela simplesmente entrou em nosso ser, sem alarde, delicada, mansa como uma brisa, uma música para os ouvidos, um raio de luz na nossa manhã.... ah, que sensação deliciosa!


E, porque não viver esse lapso de felicidade plena, nos deixando levar por ela, sem pensar em coisa alguma?


Sim, porque do contrário, em um piscar de olhos, corremos o risco de apagar esse momento único com uma simples pergunta: por que estou tão feliz?


Foto: Kelly Vohs / Unsplash


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segunda-feira, maio 20, 2024 No Comentários

 



Na minha infância, o sono demorava a chegar e eu não conseguia dormir. Então, à luz de um pequeno abajur, eu lia e lia, até as letras começarem a se embaralhar na página e eu começar a fazer “cabo de força” com os meus olhos, que insistiam em querer fechar.  Adorava ler estórias e histórias, e viajava com elas.


Se eu fosse um passarinho ... A primeira vez que ouvi essa frase, foi justamente nessa época, e me lembro que logo comecei a pensar o que faria se eu fosse um passarinho.


Voaria alto, para ver tudo de cima – as cidades, as ruas e estradas, os rios, as árvores, a mata, o mar ... E mais, poderia talvez, ver tudo isso em um só dia, porque voaria rápido ou devagar, conforme a minha vontade. Pousaria aqui e ali para descansar, bem alto, longe dos perigos.


Poderia também, voar com as correntes de vento e ficar só plainando como alguns pássaros, se deixando levar, sem rumo e sem esforço, para qualquer lugar.


Passaria as noites em cima de alguma árvore, aninhada nas mais alta folhagem, e dormiria sob a luz do luar e o brilho das estrelas. E, ao amanhecer, acordaria com o primeiro raio de sol, pronta para continuar minha viagem pelo mundo afora.


Se eu fosse um passarinho....  me lembro como se fosse hoje. Essa frase foi o tema da redação final daquele ano escolar. E eu, sem pensar duas vezes, nos meus nove anos de idade, dei assas à imaginação nessa viagem que me deixaria livre para ir a qualquer lugar, porque afinal de contas, eu seria o próprio passarinho da estória.


Então, voei como um passarinho, sem rumo e sem limites, livre de tudo e de todos, pelo mundo afora para conhecer um pouquinho de cada lugar.


Desde então, esse episódio chega à minha memória do nada, como que batendo à porta do meu inconsciente para me lembrar: se eu fosse um passarinho ...


Houve momentos, em que eu tentei analisar, assim como quem busca algum problema no assunto, ou mesmo um significado para tamanha perseguição. Qual o sentido disso? O que o meu íntimo quer dizer ao meu consciente? E por aí seguia nessa linha, querendo racionalizar de alguma forma. É lógico que eu nunca cheguei à conclusão alguma.


Ainda bem, porque depois de algum tempo, parei de buscar algum significado nisso tudo e, simplesmente, deixava minha mente vagar nas lembranças desse episódio, que apesar de distante no tempo, sempre conseguia visualizá-lo mentalmente em todos os detalhes.


Hoje entendo tudo isso. Essa viagem imaginária da minha infância me encantou com tal intensidade, que a sensação mágica provocada em mim nunca mais abandonou o meu ser.


Aos poucos, sem sentir ou planejar, comecei a moldar o meu passarinho interior de hoje: os livros, o meu olhar e os meus sentidos são as minhas asas para voar, para imaginar e para planejar os meus trajetos, as minhas viagens.


Sim, porque hoje não voo com asas, voo com a imaginação que me leva a lugares incríveis e às vezes, depois de muito tempo gasto em alguns planos reais de voos, até consigo concretizar alguns que a minha imaginação arquitetou.


Assim, hoje, o meu passarinho interior não voa sobre as cidades, mas passeia por seus cantos e recantos, e caminha por suas ruas, avenidas, praças e parques.


Não voa sobre as trilhas e estradas, mas viaja por meio delas e aprecia as paisagens do seu entorno.


Não voa sobre os rios e mares, mas navega ou nada em suas águas.


Não voa sobre as árvores, mas caminha em torno delas, namora a sua cor, a sua textura, se deslumbra com sua riqueza e sente o prazer de abraçá-las.


Hoje, imaginação e realidade às vezes se fundem no meu dia a dia. Continuo lendo estórias e histórias e, além de continuar viajando por meio delas, tenho o hábito e o prazer de registrar em estórias, momentos de minha própria história.



Foto: Alex Wigan / Unsplash


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segunda-feira, janeiro 15, 2024 No Comentários

 




Domingo. O dia amanheceu nublado, anunciando chuva.  Acordei cedo e logo me levantei. Não conseguiria ficar mais tempo na cama. Estava um pouco ansiosa porque seria um dia atípico, diferente de todos os demais.


Havia chegado o momento de deixar a cidade e partir para uma nova fase de minha vida que eu começara a planejar dois atrás. Uma ideia, que foi aos poucos, tomando forma, criando corpo e se fortalecendo dia após dia, pois não via sentido algum em continuar ali.


Naquele domingo, eu estaria literalmente virando a chave da vida para seguir de “mala leve”, e “leve”, em todos os sentidos. Vendi, doei, ou passei adiante, tudo o que havia em minha casa e fiquei somente com o necessário que deveria caber em duas malas, nada mais.


Não que eu quisesse apagar lembranças ... Não, não era nada disso! É que para mim, as lembranças ruins, devem ser esquecidas; já as lembranças boas, estas certamente ficam na memória. E, se não permanecerem vivas ao longo do tempo é porque não foram realmente marcantes.


Por falar em lembranças, sempre este assunto vem à tona, logo me vem à mente um poema de Shakespeare que traduz exatamente o que eu penso a respeito de lembranças: “conservar algo que faça eu recordar de ti seria o mesmo que admitir que eu pudesse esquecer-te.”


Bom, voltando à “mala” ...  em casa, ficaram somente as duas malas e o colchonete no qual eu havia dormido na noite anterior. E o café da manhã? Ah... este ficou para a padaria do bairro.


Mas antes ir até lá, eu queria caminhar um pouco. Nos últimos anos, especialmente aos domingos, a minha rotina matinal era fazer longos e diferentes trajetos pelo bairro e redondezas.


Este era o momento de me conectar com o meu eu profundo, ouvir a minha voz interior, planejar os passos seguintes e tomar as decisões. Era o momento também de agradecer tudo e a todos ao meu redor e me conectar com o Universo Divino.


Nestas manhãs, também me perguntei inúmeras vezes, se eu estaria tomando o rumo errado. A resposta era imediata: não, ficar é que será a loucura. Não havia razão alguma para permanecer e o meu sentimento era que, se eu insistisse em ficar, por conforto ou por medo de tentar viver de maneira diferente, isto sim, seria selar o meu fim.


Quando cheguei à padaria, depois da caminhada de despedida, ainda estava cedo demais. As atendentes arrumavam as mesas na área externa, onde eu gostava de me sentar quando dava aquela vontade de comer alguma coisa gostosa com um cafezinho.


Enquanto terminavam a arrumação, fiz meu pedido no interior da padaria que demoraria um pouquinho porque o café ainda não estava pronto. Foi o tempo da área externa ficar liberada.


Sentei-me à mesa e enquanto esperava, inconscientemente, comecei a fazer uma retrospectiva de meu tempo vivido na cidade. Foram muito anos ali ... de trabalho, de conquistas, de lazer, família, filhos que cresceram e tomaram o seu rumo próprio, amigos, muitas alegrias, tristezas, ganhos e perdas ... e, sem pesar algum, havia chegado o dia de partir.


Não me dei conta de quanto tempo se passou - eu, ali, sentada na padaria, vendo todo esse filme da minha vida. Absorta em meus pensamentos, nem havia percebido que a garota havia chegado à mesa com o pedido. Deixou tudo ali e havia também um bilhetinho.


Um pedacinho de papel azul claro, escrito à mão, com uma letra que demonstrava cuidado e atenção na hora do escrever e apenas uma frase e com uma moldura desenhada no entorno da mensagem assinada: “O seu dia começa aqui com um bom café e sorriso no rosto - Neia.”


Terminado o café, pedi a conta à garota que me serviu. Não resisti e perguntei: quem é Neia que escreveu o bilhete?


“Neia”, disse a garota, com um sorriso maroto, “é minha mãe. Ela também trabalha aqui. Ela é quem escreve os bilhetes”.


Mas para mim, aquele não foi tão somente um bilhete para o dia. No exato momento em que li a mensagem, meus olhos se encheram de lágrimas e me senti quase que explodindo de emoção.


Uma alegria intensa invadiu meu coração. Era como se eu estivesse recebendo a mensagem de um anjo me dizendo: “siga em frente”. 



Foto: Karl-Cor/ Unsplash


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quinta-feira, novembro 02, 2023 No Comentários



O meu dia haviasido intenso, de muito trabalho, barulho e agitação.


Tudo o que eu queria no final do dia, era uma verdadeira imersão no silêncio e na tranquilidade de minha casa, com uma longa noite de descanso e o “sono dos deuses”.


Ao chegar no meu “lar, doce lar”, estava tão cansada, que apesar da fome, não tinha energia para preparar qualquer refeição; tomei um banho longo para ver se relaxava e, nenhum resultado definitivo ... Ainda estava tão agitada em meu íntimo, que a possibilidade de ir para a cama, simplesmente fechar os olhos e dormir, se apresentou, logo de cara, como uma doce ilusão.


Então, como era de se esperar, fiquei vagando de uma atividade para outra, de um lugar para outro na casa, tentando “deletar” a energia estressante do meu dia. Sim, porque ficar rolando na cama até o sono chegar, nem pensar! Isso seria um horror mental!


Ok, pensei ... Se não vou dormir, vou ler!


Para mim, ler antes de dormir é uma faca de dois gumes. De um lado, se o livro é bom, fico acordada para ler um pouco mais, e mais um pouquinho, só mais um pouco, e se o livro está chegando no final então, aí que mora o perigo: leio até terminar. Ou seja, durmo tarde demais.


Do outro lado, se o livro é daquele tipo que começo a ler com todo entusiasmo e à medida que a leitura vai avançando, a animação vai se perdendo, então é outra estória. 


Sim, porque nesse caso, começo a leitura sempre com a ideia de que a história vai melhorar (o que na maioria das vezes não acontece). Então, no decorrer do tempo, vou ficando entediada e uma série de pensamentos começam a me visitar aleatoriamente enquanto estou lendo. 


Quando percebo que estou viajando em outras ideias, retorno ao livro, tento entender em que trecho eu estava, volto atrás para lembrar de uma passagem lida sem atenção, ou seja, entro em um ciclo de energia que me dá o maior sono.


Bem, voltando à minha agonia do sono, a minha opção foi, sem dúvida alguma, um livro da segunda categoria. Nesse dia, entretanto, apesar de bons e longos devaneios na leitura, a tática parecia não funcionar.


Aquilo parecia uma alucinação ... e, quando dei por mim, lá estava eu acordada, com as janelas fechadas, a luz acesa, a cama arrumada, eu em cima dela, o livro aberto ao meu lado .... Ai! Não é possível! Só cochilei! 


Bom, pensei, pelo menos estou me sentindo mais animada e com fome. Levantei-me com a intenção de preparar algo para comer mas antes, fui até a janela para deixar um pouco de ar entrar no quarto.


Ao abrir a cortina, não acreditei ... eu não havia cochilado, mas literalmente desmaiado. Estava um dia lindo demais!


Foto: Andrew Draper / Unsplash


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segunda-feira, outubro 09, 2023 No Comentários

 




O domingo amanheceu lindo, ensolarado, perfeito. Depois de tantos fins de semana com chuva, um dia com sol é sempre um convite para passear, passear e passear. E era isso que Lola pensou ao acordar. Passear o dia inteiro com Davi e as crianças. 


Acordou mais cedo do que de costume, para preparar o café da manhã e arrumar tudo o que precisava para o dia, porque haviam algumas coisas para fazer antes do passeio.


Lina teria que entregar um trabalho para o chefe que sairia de viagem naquela manhã, levando consigo o projeto para o cliente, e ainda para completar, era dia de campanha de vacinação infantil.


Ai, céus! pensou ela. Não teve tempo de combinar Davi. Ele esteve fora durante toda a semana, a trabalho, e havia chegado tarde na noite anterior. Mas Lola não se preocupava com isso. Poderiam dividir as tarefas como sempre faziam.


Aliás, ela nunca havia parado para pensar como isso acontecia. Ao longo de tantos anos juntos, ela e Davi nunca dividiram verbalmente as tarefas da casa e nem das crianças. Na maioria das vezes, simplesmente acontecia. Aquele que estivesse mais disponível tomava a frente.


Em raras ocasiões, quando um dos dois detestava algum tipo de tarefa, aí sim, poderia haver alguma negociação.


E este era o caso. Davi detestava levar as crianças ao dentista, médico, consulta ou vacinação. Ele dizia que Lola tinha mais paciência nessas horas.


Lola nunca pensou nesse assunto muito bem porque quando as crianças se machucavam ou tinham algum mal estar, Davi era o primeiro a tomar alguma atitude se estivesse por perto.


Bem, café na mesa, Lola acordou todos. Na mesa começaram a fazer planos de qual seria o passeio do dia. Ir ao clube, nadar e tomar sol? Diversão no parque com um piquenique? Andar de bicicleta e depois ir ao cinema? Com o dia claro e aquele sol lindo, qualquer escolha era possível.


No meio do falatório sobre o que fazer, Lola interrompeu:—ei vocês! Aqui, só um pouco. Tem um probleminha pra gente resolver antes de qualquer coisa.


Foi um “ahhhhh” geral e Lola continuou: — tenho que entregar um trabalho agora cedo, porque meu chefe vai viajar e tem outra coisa importante antes do passeio: hoje é dia de vacinação das crianças.


— Ah, não mãe! As crianças começaram a reclamar e reclamar, e Lina, a menorzinha de 5 anos, começou a ensaiar um choro. Elisa, a mais velha com 7 anos, aproveitou a situação e logo colocou uma barganha.


— Mãe, eu já sabia, na escola já tinham avisado. Mas se a gente se comportar direitinho, ganha sorvete depois? Daqueles bem grandes?  — e olhou para a irmã como se estivesse dizendo — “para de resmungar e diga que também quer”.


— Tá bom, combinado — disse Lola. — Agora, pra resolvermos isso mais rápido, enquanto entrego o trabalho, seu pai leva vocês pra vacinar. Ok?


— Não mãe, com o papai não! Você sempre leva a gente — reclamou Lina, fazendo biquinho.  


— É Lola, você sempre leva as meninas pra vacinar — concordou Davi, meio sem energia, como se ainda não estivesse acordado.


— Mas sempre tem uma primeira vez. Eu vou para um lado com o trabalho e você vai para o outro com as meninas; te encontro depois na vacinação. Assim, economizamos tempo.


Davi tentou pensar em alguma alternativa, mas se sentia meio estranho. Não estava conseguindo pensar rápido. Demorou tanto para dizer algo, que ficou tarde para propor o contrário. Ele iria levar as crianças para vacinar.


Todos no carro, Lola deixou Davi e as meninas no posto médico e foi para o aeroporto com o trabalho na pasta. Não demorou voltar, porque no domingo, o trânsito era tranquilo.


Parada na porta do posto de vacinação, Lola esperou. Já estava pensando em descer do carro para ver se ainda estavam na fila, quando viu as meninas correndo em direção ao carro.


— Cadê seu pai?


— Ele já está vindo — disse Elisa, entrando no carro com a irmã.


Logo chegou Davi, num passo lento, desajeitado, meio estranho e entrou no carro, no lado do passageiro.— E aí? Todo mundo se comportou bem? Merece sorvete? — perguntou Lola alegre e animada.


— Simmmmm, menos o papai —Elisa logo respondeu com uma carinha de séria, olhando de rabicho para o pai.


— Porque o papai não? 


Elisa hesitou um pouco, suspirou baixinho e disse:— ôoo mãe, nós ficamos direitinho na vacina, mas o papai desmaiou!

 

Foto: Kimberly Farmer / Unsplash


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quinta-feira, maio 04, 2023 No Comentários
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Multi CHÁ Brasil é um blog idealizado por Angélica Teixeira, com o objetivo de levar até você, o universo dos chás em todas as suas nuances, compartilhar a riqueza deste tema, aguçar a sua curiosidade para conhecer, experimentar e alçar voos no fascinante mundo dos CHÁS.
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